A neuropsicóloga Dra. Anelise Pirola alerta que o mito da “mulher multitarefa” prejudica a reserva cognitiva e aumenta em duas vezes o risco de transtornos mentais; vida leve é a nova estratégia de longevidade ● 75% das doenças degenerativas podem ser prevenidas ou retardadas com mudanças estruturais no estilo de vida e manejo do estresse
A proximidade do Dia das Mães costuma trazer à tona o arquétipo da “supermulher”, capaz de equilibrar carreira, maternidade e vida pessoal com perfeição. No entanto, o preço dessa conta está sendo cobrado pela saúde mental e cerebral de muitas delas (ou de nós). Segundo a Dra. Anelise Pirola, neuropsicóloga especialista em saúde cerebral e longevidade, a exaustão cognitiva causada pelo excesso de funções não é apenas um cansaço passageiro, mas um fator de risco para o envelhecimento precoce.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e estudos recentes de neurociência reforçam a gravidade do cenário: mulheres têm duas vezes mais chances de desenvolver transtornos de ansiedade do que homens. Além disso, o estresse prolongado eleva os níveis de cortisol, o que pode atrofiar o hipocampo — área do cérebro responsável pela memória e aprendizado.
“Ser ocupada demais não é ser eficiente; é estar em estado de alerta constante. O cérebro, embora resiliente, possui limites biológicos. Quando ignoramos as pausas e a necessidade de delegar, estamos consumindo nossa reserva cognitiva de forma acelerada, o que pode comprometer a autonomia na maturidade”, afirma a Dra. Anelise Pirola.
O impacto em números: A carga mental invisível
- 42% das mulheres relatam níveis de estresse crônico e burnout, um índice significativamente superior aos 35% registrados entre os homens.
- 40% das mães sofrem com a “carga mental” — a gestão invisível e constante das tarefas domésticas e familiares.
- 75% das doenças degenerativas podem ser prevenidas ou retardadas com mudanças estruturais no estilo de vida e manejo do estresse.
Longevidade: Vida leve exige rede de apoio
Para a Dra. Anelise, a solução para a exaustão materna não é individual, mas coletiva. Ela defende que familiares e empresas assumam a responsabilidade de reduzir a carga mental feminina. “Uma vida mais leve é construída com suporte. Quando a mãe tem tempo para o autocuidado e para o ócio criativo, ela está fortalecendo sua reserva cognitiva: uma espécie de ‘poupança’ cerebral contra o declínio cognitivo no futuro”.
Em sua prática clínica, a Dra. Anelise utiliza protocolos de neurofeedback e avaliação neuropsicológica para mapear e recuperar essa reserva em mulheres acima dos 40 anos. “O Dia das Mães é uma data de celebração — mas também pode ser o momento em que cada uma se pergunta: o que estou preservando para mim?”.