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BBB 26: Chaiany contou que engravidou aos 15 anos; Psicóloga explica impactos na saúde mental

Entenda por que a gravidez na adolescência pode aumentar risco de ansiedade e depressão e o que fazer

Chaiany contou no BBB 26 que engravidou aos 15 anos e disse que “não sei nem como é que foi”. Mas quando a gravidez chega tão cedo, o que pesa no emocional da adolescente? A psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, do Instituto MaterOnline, explica que esse cenário pode aumentar o risco de ansiedade e depressão e que a rede de apoio tem papel importante no acolhimento. Segundo ela, a prevalência de gestações não planejadas em mulheres com menos de 20 anos varia entre 15% e 20%. A soma de adolescência, gestação e maternidade pode trazer tristeza persistente e isolamento. 

“Gestantes adolescentes são um grupo de risco para a saúde mental. Precisamos orientar não somente os adolescentes, mas também os pais, professores e profissionais da saúde. Sem esse apoio, o trabalho pode ser ineficaz”, alerta Rafaela. 

Ela também destaca que muitas gestações na adolescência não ocorrem apenas por falta de informação, mas por fatores sociais, religiosos e culturais, que impactam a segurança das relações sexuais dessas jovens.

Mais acolhimento, menos cobrança

Além das pressões emocionais e culturais, as adolescentes grávidas enfrentam barreiras sociais que tornam o período ainda mais desafiador. “A sociedade costuma responsabilizar apenas a jovem pela gravidez e ignora o papel do parceiro. Isso agrava a pressão e aumenta o risco de isolamento e abandono emocional”, alerta a psicóloga.

Para Rafaela, o acolhimento não deve ser apenas para a mãe, mas para toda a rede de apoio envolvida, incluindo os próprios adolescentes que desejam assumir a paternidade, mas enfrentam essas barreiras sociais e familiares.

“Acolher essas jovens com empatia e respeito é o primeiro passo para transformar o futuro delas e dos bebês. Com suporte adequado e um olhar empático sobre as barreiras culturais e sociais, é possível enfrentar os desafios da gestação precoce de forma mais segura”, conclui.

Ainda segundo a psicóloga, a prevenção da gravidez na adolescência vai além do acesso a anticoncepcionais. É necessário criar um ambiente seguro para que os adolescentes tomem decisões com mais consciência e desenvolvam relações saudáveis. 

Veja 5 formas de acolher:

1. Evite julgamentos

Frases como “você estragou sua vida” aumentam o isolamento da adolescente. Acolher sem críticas é essencial para que ela se sinta segura e tenha o suporte necessário para enfrentar a gestação.

2. Incentive o início do pré-natal

Muitas jovens escondem a gravidez por medo ou vergonha, o que pode atrasar o início do pré-natal e aumentar os riscos de complicações. Oferecer apoio emocional é essencial para que busquem atendimento médico o quanto antes.

3. Fique atento a sinais de depressão

Rejeição ao bebê, tristeza persistente ou falta de motivação podem ser sinais de depressão. Nem toda rejeição ao bebê está ligada a transtornos mentais, mas uma avaliação psicológica é fundamental para entender o contexto e oferecer suporte adequado.

4. Apoie a continuidade dos estudos

O abandono escolar é uma das consequências mais comuns da gravidez precoce, comprometendo o futuro da jovem e do bebê. Com apoio familiar e uma rede de apoio, é possível reorganizar a rotina para que ela conclua os estudos.

5. Oriente sobre os direitos disponíveis

Muitas adolescentes desconhecem que têm acesso a serviços como pré-natal gratuito pelo SUS e, em casos previstos em lei, ao aborto legal. Informar sobre esses direitos pode salvar vidas e oferecer mais segurança durante a gravidez.

Sobre Rafaela Schiavo

Profª-Dra. Rafaela de Almeida Schiavo

Profª-Dra. Rafaela de Almeida Schiavo é psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Desde sua formação inicial, dedica-se à saúde mental materna, sendo autora de centenas de trabalhos científicos com o objetivo de reduzir as elevadas taxas de alterações emocionais maternas no Brasil.

Possui graduação em Licenciatura Plena em Psicologia e em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Além disso, concluiu seu mestrado em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem e doutorado em Saúde Coletiva pela mesma instituição. Realizou seu pós-doutorado na UNESP/Bauru, integrando o Programa de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Desenvolvimento Humano, atuando principalmente nos seguintes temas: Desenvolvimento pré-natal e na primeira infância; Psicologia Perinatal e da Parentalidade.

Redação
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Equipe do Curiosando que desenvolve artigos dos mais variados temas.