Trabalhar saúde mental dos atletas deveria ser exigência para competir em campeonatos, aponta psicóloga

Trabalhar saúde mental dos atletas

Dra. Ana Flávia Parenti, coordenadora do curso de Psicologia da Unicid, explica a pressão que atletas vivem por nunca poderem demonstrar fragilidade e o preconceito existente na sociedade que só aceita lesão física como justificativa

São Paulo, 11 de agosto de 2021 – As Olimpíadas de 2020 deixaram várias lições e aprendizados tanto para o esporte, quanto para os atletas e a sociedade. Entre elas, o caso da ginasta Simone Biles, que desistiu de participar de algumas finais olímpicas, trouxe uma reflexão pertinente para o mundo atual sobre a importância de priorizar a saúde mental acima de qualquer outra necessidade.

Segundo a coordenadora do curso de Psicologia da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), Dra. Ana Flávia Parenti, os atletas profissionais sofrem uma cobrança demasiada pelo seu desempenho dos patrocinadores, times e torcedores. Isso acaba refletindo em uma pressão psicológica de não poder falhar ou perder.

“O que precisamos entender é que para esses atletas, o esporte é sua profissão e, tanto patrocinadores, clubes e torcedores não querem ver fracasso, só vitórias sempre. Porém, como tudo na vida, não dá para ganhar sempre, e essa cobrança se torna extremamente dura para esses atletas. Nunca há espaço para tristeza, ou o famoso: “hoje não estou bem”. É como se nunca pudessem ter dias ruins, não é permitido”, explica a psicóloga.

A professora de psicologia ressalta que um ponto que chamou atenção no caso da Simone Biles, foi que, no dia em que ela abriu mão de sua participação, a comissão americana informou que ela havia sofrido uma lesão, e todos os narradores estavam muito atentos ao seu comportamento e a todo momento diziam: “ela está correndo, não tem lesão nenhuma”. “Ou seja, uma lesão física é aceita como justificativa para não participar da competição, mas o fato de não estar se sentindo bem psicologicamente ou estar insegura não é”, enfatiza.

“E com esse caso, podemos pensar qual a importância que a sociedade dá para a saúde mental. Infelizmente, ela está sempre em segundo ou terceiro plano. Para patrocinadores e torcedores não passa de frescura. Então, como pode um atleta estar sempre 100% bem, física e psicologicamente para dar o seu melhor desempenho? Isso é impossível! No caso dos atletas, estamos falando ainda de sua profissão, seu ganha pão. Imagine a responsabilidade dessa pessoa, a pressão que sofre ao pensar que, mesmo não se sentindo bem, precisa dar o seu melhor”, ressalta a docente.

Muitas pessoas, assim como Simone, já se viram esgotados psicologicamente e permaneceram caminhando em busca de algo, e a atitude da ginasta mostra que na verdade é necessário ter coragem para mostrar que saúde mental também deve ser trabalhada e priorizada em qualquer circunstância que seja.

Para a psicóloga, no caso dos esportes de alto rendimento o cuidado com a saúde mental deveria ser uma exigência para que os atletas pudessem participar de campeonatos nacionais e internacionais.

“Esporte sempre foi sugerido como uma maneira de auxiliar no cuidado da saúde física e mental. Porém, no caso desses atletas de alto rendimento, a atividade esportiva é o seu trabalho, sua profissão. Então, assim como temos nossos prazos para entregar relatórios, eles têm a cobrança por alcançar suas metas, conquistar objetivos e vitórias. Ou seja, os mesmos cuidados que deveríamos ter com os trabalhadores de uma empresa, os clubes e patrocinadores deveriam ter com seus competidores”.

A psicóloga reforça que não existe uma “dica” para a manutenção da saúde mental de um modo geral. Esse é um assunto que deve ser tratado com todo cuidado e sempre informando que todo e qualquer ser humano pode e deve procurar ajuda quando sentir que não está conseguindo dar conta sozinho de suas questões emocionais.

A docente destaca que esse episódio com uma atleta da relevância de Simone Biles trouxe à tona algo que muitas pessoas não enxergavam ou, como torcedores, não queriam enxergar. “Infelizmente é mais fácil acreditar que é frescura e culpar o atleta, do que entender sua fragilidade. E o que deve ter abalado mais ainda a todos é que se atletas tão preparados e capazes de coisas tão extraordinárias com seus corpos também podem sofrer emocionalmente ou passar por momentos de fragilidade emocional, porque qualquer outro ser humano também não pode? Acredito que isso tenha feito muita gente se sentir vulnerável”, finaliza.

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